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A história do dentista que colocou uma pequena ilha num conto de fadas

Conheça a linda história do Dr. Heimir Hallgrimsson , o dentista que colocou a Islândia, uma pequena ilha de 320 mil habitantes entre as 8 seleções mais fortes do futebol europeu.

Se os 4.135 habitantes de Heimaey se agrupassem, eles provavelmente caberiam dentro do campo de futebol coberto da ilha. Nessa hora de almoço, porém, há apenas três ou quatro crianças jogando bola, e, quando Heimir Hallgrimsson faz menção de sair, um garoto cobra um escanteio no lado de fora da rede do gol próximo à  saída.

Isso é totalmente perdoável: o menino tem 7 ou 8 anos, e o técnico da seleção da Islândia o chama pelo nome, consolando o pequeno com um carinho na cabeça e algumas palavras ternas. Encontrar conexões entre as pessoas na ilha principal é até fácil, mas, nessa ilhota de 8,3 km², formada por uma erupção vulcânica, parte do arquipélago de Vestmannaeyjar, as pessoas conhecidas estão a cada esquina.

“É claro que eu o conheço”, diz Hallgrimsson, enquanto encara o vento. “Eu sou o dentista daqui, afinal de contas…”.

Da sala de espera no consultório de Hallgrimson, localizado em sua própria casa, dá pra ver dois terços da ilha. Há janelas grandes em três dos quatro lados: à  direita, a vista das rochas onde sua família possui uma casa de verão de difícil acesso. Ao centro, o pequeno porto. à€ esquerda, o dramático pico de Blanditur, e atrás dele descem os pequenos aviões que chegam da capital Reykjavik.

“É aqui que todas as decisões importantes são tomadas”, ele conta, sorrindo. E houve muita coisa a se ponderar na àºltima meia década.

Hallgrimsson, que era um treinador de sucesso tanto com a equipe masculina quanto feminina do time local IBV, é, há dois anos e meio, o técnico da seleção islandesa ao lado do veterano sueco Lars Lagerback, depois de um período de dois anos como assistente.

A combinação da experiência estrangeira e do conhecimento local formaram o todo perfeito: eles levaram a Islândia a uma inimaginável classificação para a Eurocopa 2016, e fizeram isso de uma maneira em que Hallgrimsson conseguisse, ao mesmo tempo, continuar trabalhando como dentista, exatamente no andar debaixo de onde estamos sentados.

“Eu costumava trabalhar no consultório entre 8h da manhã e 15h da tarde. Depois, ia para o treino do IBV à s 17h”, ele recorda. “Meu dia todo era trabalho. Quando comecei na seleção, eu comecei a diminuir o ritmo, e este ano cuidarei de poucos dentes. Eu trabalho um dia vez ou outra, talvez uma vez por semana, só para manter minha mão e meu cérebro funcionando. Mas eu nem marco mais consultas. Eu só peço à  minha secretária para preencher o dia, e tem muita gente que vem me visitar, porque só gostam de mim como dentista delas”, relata.

O trabalho de Hallgrimson como dentista vai ficar completamente parado durante a campanha islandesa na Euro. Certamente não há nenhum outro dentista entre os técnicos do torneio, e certamente não há nenhum outro treinador que more numa comunidade tão remota quanto Heimaey. Enquanto isso dá uma pista do tamanho da façanha desse país, também deve ser usado para olhá-los como alguém que está levando o futebol muito a sério.

A Islândia nunca havia chegado perto de ir a um grande torneio antes de Lagerback e Hallgrimson assumirem e, com uma população de 320 mil habitantes, nem tinha a expectativa de conseguir. O sucesso deles, que veio após uma apertada derrota para a Croácia nos playoffs de classificação para a Copa do Mundo, foi o resultado na mudança de mentalidade do futebol do país.

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“Trabalhar como dentista me ajudou muito, já que você está sempre se relacionando um-para-um”, disserta. “Muitas pessoas têm medo de ir ao dentista, então você tem que encontrar a maneira de falar com cada cliente individualmente. Você pode ter que relaxar um, ser engraçado com o outro, ser sério com o terceiro, mas você tem que se adaptar rapidamente. É a mesma coisa no futebol”, garante.

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Fabricio F. Mendes .'.