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Sobre gengivas furadas, trairagem e falar demais

Uma abordagem diferente sobre o lamentável episódio da acadêmica de Odontologia que furou a gengiva de um paciente odontopediátrico

Como todos vocês devem ter visto, semana passada uma polêmica tomou conta da internet odontológica. Trata-se do caso da acadêmica que comentou com uma colega de classe que furou propositalmente com uma agulha anestésica a gengiva de um paciente pediátrico para que ele ficasse mais cooperativo durante o tratamento.

gengiva-furadaNão vou entrar no mérito da conduta inapropriada que esse fato evidencia, até porque ele já foi esmiuçado e julgado por gente demais. Vou focar o problema por uma ótica diferente, mas que julgo pertinente debatermos.

É óbvio que esse tipo de conduta é condenável. É óbvio que não é assim que a Odontopediatria deve ser praticada. Mas também fica bastante claro – ou pelo menos deveria ficar – que esse caso é o reflexo da raiz de um dos principais problemas da Odontologia, que é a falta coleguismo.

Se durante a faculdade, num ambiente acadêmico e teoricamente sem concorrência, já acontece esse tipo de trairagem (sim, divulgar publicamente esse print foi uma BAITA trairagem), imagina o que essa pessoa não fará depois que se formar, quando sentir a água batendo no queixo.

Será que quem se indignou – corretamente – com essa postura, não poderia ter divulgado o print para a direção da faculdade, para que a coleguinha furona fosse punida apenas no âmbito interno, corrigindo assim esse desvio da conduta padrão da maneira como deveria ser feito.

Era mesmo necessário jogar a colega aos leões ??? Pois foi exatamente isso que aconteceu.

A resposta a meu ver é simples: NÃO ERA.

Somos uma classe extremamente desunida, e muitas vezes, mal formada. Não no sentido técnico da coisa, mas no sentido psicológico. Faculdades de Odontologia deveriam capacitar seus alunos a agir com um mínimo de ética profissional frente a um erro de outro colega, até porque, TODOS NÓS ERRAMOS. Quem não errou ainda, logo errará. Apontar o dedo para a falha alheia, com o objetivo de expor e constranger assim é lamentável.

Desnecessário também dizer que além da falha educacional, esse caso evidencia duas falhas morais graves da acadêmica. A primeira, que é o fato de usar esse tipo de artifício baixo para conseguir a cooperação do paciente.

A outra, é estÚpida necessidade que alguns tem de propagar aos 4 ventos suas “façanhas”. Falar demais pode ser um “pecado gravíssimo” nos dias de hoje, pois a um clique de distância pode estar um print de tela que, em talvez, possa mudar a sua vida. E me parece ser esse aqui um desses casos.

Como tudo na vida pode servir como aprendizado, que tentemos todos extrair o que de bom esse episódio pode por ventura mostrar. Se é que há algo de bom nessa celeuma toda.

Outros blogs falaram sobre o assunto:

Blog DicasOdonto –> “Não fazer mal”, Odontologia, acadêmicos e Redes Sociais

Blog Odontostalgia –> Sobre “interpretação”

Odontodivas –> Uma palavra: empatia. Exercitem-na.

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Fabricio F. Mendes .'.