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OdontoSecção #18 – Onde está a ética dos dentistas ???

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Nossa coluna de cirurgia hoje fala sobre situações da especialidade onde a ética profissional, ou melhor, a falta dela, pode colocar um caso em cheque.



Prezados colegas do VDD, como passaram o mês do dentista? Pessoalmente foi um mês bastante corrido, infelizmente não por causa do consultório, mas o trabalho no SUS como sempre bombando.

Procuro sempre trazer nas colunas relatos de casos e novidades sobre o que está ocorrendo em cirurgia bucomaxilofacial, mas quero aproveitar o espaço aberto a mim para relatar com enorme tristeza duas situações distintas porém bastante parecidas que ocorreram nas àºltimas semanas aqui no trabalho.

Trabalho como cirurgião bucomaxilofacial em um Centro de Especialidades Odontológicas da Prefeitura de Belo Horizonte, com uma carga horária de 40 horas semanais, todos os dias de 7:00 as 15:00, e com um grande volume de pacientes. Para exemplificar, a média mensal é de aproximadamente 200 procedimentos cirÚrgicos (entende-se por procedimento cirÚrgico a remoção de um dente, um acerto de rebordo e etc), sendo aproximadamente 160 sisos ou dentes inclusos por mês e um total de quase 300 consultas. É um volume muito grande de atendimentos que acabam resultando em uma casuística interessante em termos de nÚmeros e variedade de procedimentos.

Estou na função há exatamente um ano e durante esse tempo eu já vi e fiz quase de tudo aqui, mas quero levantar a bola para o comportamento anti-ético é extremamente desagradável da classe odontológica. É meio que um consenso entre dentistas que “dentista é uma raça FD#“. O dentista não sei porque não consegue resistir à  tentação de falar mal e denegrir o trabalho de outros colegas em uma tentativa ridícula de autoafirmação, só que o infeliz que adota uma postura dessas está dando um tiro no pé e dando munição aos pacientes e à  sociedade em geral para cada vez mais desvalorizar a nossa profissão.Quem tem o costume de realizar cirurgias para remoção de terceiros molares inclusos sabe que há uma série de riscos e intercorrências associadas à s cirurgias, as mais comuns sendo parestesia do nervo alveolar inferior, hemorragia, trismo e outras não tão comuns como fraturas de mandíbula. Quem nunca opera nunca terá que lidar na sua prática com essas complicações, mas quem faz deve estar preparado para elas. Em Maio deste ano (2015) realizei a extração dos elementos 48 e 38 inclusos é praticamente “colados” aos canais mandibulares de uma paciente de 17 anos. Durante a anamnese eu informei que em casos como o dela a ocorrência de parestesia nos nervos alveolares inferiores não apenas são possíveis como devem ser esperadas, que a chance de ocorrer são significativas. Até aí tudo bem. Cirurgia feita sem intercorrências, em 45 minutos aproximadamente eu já tinha removido os dois dentes. Dei alta à  paciente que nunca mais voltou ao CEO, quando de repente, há uma semana fui informado por uma superior aqui no serviço que a mãe da paciente está revoltada comigo, e queria me processar e etc e tal porque a dentista do posto de saÚde mandou a mesma procurar a gerente do serviço falando que eu tinha “mutilado” a filha dela, cortado o nervo e que ela nunca mais iria recuperar a sensibilidade nos lábios. Confesso que fiquei atônito quando recebi a notícia, em como um profissional que atua também no SUS, na mesma prefeitura pode ter uma postura tão leviana, absurda e cretina! Honestamente nem gastei meu tempo escrevendo uma defesa para a gerência ou para a ouvidoria uma vez que parestesias acontecem, são comuns e podem ser tratadas. O decepcionante foi a atitude da colega.

Outro caso para ilustrar bem a desunião e falta de ética da nossa classe também aconteceu comigo e outra colega cirurgiã aqui no CEO. Uma paciente chegou reclamando com a minha colega que tinha feito uma cirurgia pré-protética para remoção de torus palatino e acerto de rebordo em um lado da maxila enquanto eu tinha feito o outro lado, que o dentista do posto de saÚde tinha falado que o trabalho executado por nós estava uma porcaria, todo errado e que se fosse para fazer assim ele mesmo teria feito. Onde está a ética desse profissional? O respeito com os colegas e a própria profissão? Será que ele gostaria de outro colega detonando o trabalho dele dessa forma, mesmo se estivesse mal feito?

Qual experiência o colegas do VDD tem com casos assim? O que fariam? É realmente para se lamentar não é?

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7 comentários

  • “… que o trabalho executado por nós estava uma porcaria, todo errado e que se fosse para fazer assim ele mesmo teria feito.” Ahuahuahua, pelo menos ele admite a própria incompetência. É Dr. Guilherme, tá cada vez mais difícil… 🙁

  • É uma triste realidade, comigo ocorreu que eu realizei restaurações em IV em dentes decíduos, o que é muito indicado , e um “querido” colega disse para a avó da paciente que eu apenas tinha colocado uma “massinha”, que o dente não estava restaurado… Infelizmente existe e muito, e na maioria das vezes são de profissionais que não se informam ou não se atualizam, mas querem se prevalecer sobre os outros. Lamentável.

  • Caro colega, ceta feita recebi um paciente querendo que eu “pagasse” a endo do 37 porque uma “colega” disse que a necrose havia ocorrido por eu ter apoiado demais neste dente quando removi o 38.
    Oi???
    Entrei em contato com a colega, já que alguns pacientes tendem a distorcer os fatos, mas pra minha surpresa, ela confirmou o pensamento.
    Entrei com um processo ético no CROSP que ficou apenas numa sessão de conciliação, onde eu perguntei baseada em que ela afirmava aquilo e ela disse que era esse o pensamento dela.
    Não faço mais sisos com risco de complicações. Acho que isso é para os fortes.
    Abraços

  • Dedico-me á ortodontia desde 1994.Sou graduado em odontologia desde 1990.Quando concluí meu primeiro curso de educação continuada e comecei a atender pacientes no consultório,os exames de imagem não eram tão detalhados como agora. Ouvia com frequência dos colegas a partir de relatos de meus pacientes, o seguinte:1-Ele começou bem,vamos ver se terminará bem;2-Vamos ver em quanto tempo ele resolve seu caso;3-vamos ver se não vai recidivar;4-Vamos ver os efeitos colaterais.).Do primeiro ao quarto questionamento passaram-se 18 anos e firme segui em frente ,até que em 2012 eles me pegaram, ou tentaram.Como?Um ex-aluno de graduação, perguntou ao pai de um paciente em tratamento ortodôntico comigo:”O senhor sabe o que é reabsorção radicular externa?Diante da esperada negativa do leigo e aflito pai, ele emendou uma série terrorista que terminava assim:”Seu filho vai perder o dente”.O pai do menino felizmente quis me ouvir.Enquanto ele fazia a narrativa eu ia abrindo mentalmente um artigo do professor Alberto Consolaro da USP.que começa mais ou menos assim:”…As reabsorções radiculares externas ocorrem em mais de 90% dos casos tratados ortodonticamente,sendo consideradas um “custo biológico” do mesmo,cessam quando as forças são suspensas muito embora permaneçam para todo o sempre como uma” cicatriz” do tratamento.Sendo diagnosticadas precocemente(fase apical)devem ser proservadas com exames de controle e as forças aplicadas devem ser moduladas evitando que o efeito se agrave.Não comprometem a sobrevida do dente do ponto de vista funcional tampouco estético.Escrevi essa “oração” no verso do do laudo do exame apresentado pelo pai aflito e carrancudo .Era um sábado.Na segunda,pela manhã,imprimi três artigos científicos e entreguei ao paciente.É lógico que o menino submeteu aqueles artigos a duzentos trilhões de dentistas e todos tiveram que dizer que eu estava certo.Assim,desmascarei o dentista venal e impostor.Saudações odontológicas!

  • Realmente, situações lamentáveis. Esse tipo de comportamento é inerente ao ser humano, e não em particular ao cirurgião-dentista. A falta de ética nesses casos se confunde com a falta de caráter, e de educação mesmo. A deficiência da formação dessas pessoas, que hoje chamamos de colegas é em parte responsável. Gosto de acreditar que esses ‘seres’ não são maioria, e que ainda temos muitos profissionais de verdade, que puxam o nível da odontologia para cima, os quais sempre merecerão respeito. http://www.fabiomicrute.com.br

  • Muito lero é prova de incompetência. Quem sabe trabalhar e tem segurança no que executa, não liga para comentário. Quanto ao paciente, ele tem de botar a boca no trombone, sim. É seu principal meio de defesa.

    • Pelo visto a ética profissional passa longe da vida do colega que veio com comentários tão agressivos. Deve estar acostumado a difamar colegas e ser difamado de volta, deve achar normal um mundo onde as pessoas se agridem gratuitamente e para quem a melhor forma de se obter sucesso não é em focar no próprio trabalho mas em denegrir o dos outros. Abra seu olho, amanhã pode ser você o acusado de algum erro ou processado por um paciente devido à comentários antiéticos de colegas.

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