30 tons de cinza #4 – Como descrever uma imagem radiográfica



Quando você vê uma imagem “diferente”, fora do esperado, numa radiografia, o que você diz? Que tem uma manchinha? Uma coisa branca? Então este texto é pra você. 😉

Sim, a gente aprende isso na faculdade… é básico. Mas tudo que a gente aprende e não pratica, acaba caindo no esquecimento. Então eu acho que vale a pena reunir aqui algumas dicas de como descrever uma imagem radiográfica.

A primeira coisa a se ter em mente é que é preciso primeiro saber o que é certo pra só depois reconhecer o que está errado, ou seja: você nunca vai perceber uma alteração numa radiografia se, antes, não tiver domínio do que é normal, ou seja: é imprescindível conhecer anatomia! Aqui tem uma mini-apostila de anatomia radiográfica pra ajudar você! Estude.

A descrição de uma imagem radiográfica precisa fazer referência a algumas variáveis: aspecto, limites, tamanho e localização.

  1. Aspecto: em se tratando de radiografias, usam-se os termos radiopaco e radiolúcido pra descrever a forma como o feixe de Raios X atravessa uma estrutura. Quando o exame é uma tomografia cone beam, os termos correspondentes são hiperdenso e hipodenso, e quando é uma ressonância magnética (que não é um exame que usa radiação ionizante, mas vale mencionar), hiperintenso e hipointenso, respectivamente. A imagem pode ser mista também, uma mistura entre radiopaco e radiolúcido, formando padrões como casca de cebola, raquete de tênis, bolas de sabão, favos de mel, etc..
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  2. Limites: diz respeito às bordas da imagem, quando elas existem. Podem ser bem definidas ou mal definidas.
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  3. Tamanho: na descrição de uma imagem radiográfica costuma-se comparar o tamanho da imagem com um objeto conhecido, como por exemplo: uma semente de uva, uma ervilha, uma bola de golfe, um limão, uma laranja. No caso de imagens mais irregulares, pode-se dizer que elas se tratam de uma a outra estrutura anatômica, por exemplo.
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  4. Localização: é a posição da imagem: lado direito, lado esquerdo, acima, abaixo. Em radiografias panorâmicas as referências anatômicas são muitas, então costuma-se usá-las: “à direita do ramo da mandíbula”, “abaixo do canal da mandíbula”, “sobreposto ao seio maxilar do lado direito”, e assim por diante.

Alguns exemplos:

Pseudocisto antral (cisto de retenção mucoso)

Pseudocisto antral (cisto de retenção mucoso)

Sugestão de descrição: Área levemente radiopaca, de limites definidos, em forma de cúpula,  localizada acima do soalho do seio maxilar, do lado direito. Hipótese diagnóstica: cisto de retenção mucoso (pseudocisto antral). 

Mixoma: aspecto de raquete de tênis

Mixoma: aspecto de raquete de tênis (trabéculas ósseas delgadas formando ângulo de 90 graus entre si)

Sugestão de descrição: Área radiolúcida multilocular, de margens festonadas, em padrão de raquete de tênis, localizada no corpo da mandíbula, do lado esquerdo, causando deslocamento dos dentes envolvidos por ela. Hipótese diagnóstica: mixoma odontogênico

Defeito ósseo de Stafne

Defeito ósseo de Stafne

Sugestão de descrição: Área radiolúcida unilocular, do tamanho de uma ervilha, bem circunscrita e com margem esclerótica, localizada próxima ao ângulo da mandíbula e abaixo do canal da mandíbula, do lado direito. Hipótese diagnóstica: defeito ósseo de Stafne.

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Essas são sugestões, há várias formas de se descrever uma imagem radiográfica. E por que HIPÓTESE diagnóstica? Porque exames de imagem são auxílio diagnóstico, apenas com a imagem em mãos não é possível dizer o que ela é. O dentista precisa correlacionar exame clínico, anamnese, exames de imagem e exame histopatológico pra fechar o diagnóstico. 🙂

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Fabrício Mendes
Fabrício Mendes
Fundador do Vida de Dentista

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