Cirurgia OdontoSecção

OdontoSecção #15 – CTBMF na rede pÚblica

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Nossa coluna de cirurgia de hoje fala das agruras de se praticar CTBMF na rede pública



Saudações colegas do VDD, após uma longa ausência tenho o prazer de escrever novamente. Nesses dois meses que se passaram da ultima coluna tenho trabalhado bastante no CEO Centro Sul da prefeitura de Belo Horizonte, e algumas coisas eu preciso destacar para vocês:

– o volume de pacientes é enorme! Em média, trabalhando oito horas por dia, cinco dias por semana tenho feito cerca de 140 procedimentos cirÚrgicos por mês. Por procedimento cirÚrgico entende-se: remoção de um dente incluso, frenectomia, cirurgia pré-protética, entre outros.

– a prefeitura de Belo Horizonte disponibiliza o que há de melhor em termos de materiais odontológicos, sendo que anestésicos, fios de sutura e outros materiais de consumo são sempre de marcas referências, como por exemplo Alphacaine 2% 1:100.000 da DFL.

Agora, infelizmente, preciso destacar aspectos negativos do trabalho.

Muitas vezes os colegas da atenção básica encaminham pacientes para a realização de procedimentos que deveriam (e poderiam ser realizados sem maiores problemas) na atenção básica, aumentando o nÚmero de pessoas na fila de atendimento e retardando o processo de acolhimento de pacientes. Existe no SUS o SISREG, que é o Sistema de Regulação de Procedimentos que determina quais procedimentos devem ser feitos ou não nos CEOs e embora muitas vezes a nossa vontade é de acolher todos os pacientes, infelizmente temos que enviar de volta para o posto de saÚde pacientes que à s vezes aguardaram três, quatro, até mais meses para o atendimento.

Agora, será que o problema da atenção básica seria o despreparo do profissional que consequentemente se sente inseguro para realizar uma exodontia um pouco mais complicada, que requer um pouco mais de habilidade mas perfeitamente realizável por um clínico ou é uma questão de má vontade? Seja qual for a questão, e ela é individualizada para cada profissional assim como também a disponibilidade de instrumental cirÚrgico na atenção básica, o clínico deveria adotar uma postura um pouco mais pró-ativa no sentido de acolher adequadamente o paciente.

Quem usa o SUS no Brasil, raras as exceções, é o paciente carente de posses financeiras, informação e de formação intelectual. Mais do que qualquer paciente ele é hipossuficiente, ele precisa de estratégias de saÚde mais efetivas para de fato termos promoção de saÚde bucal. Obviamente o cenário hoje é melhor do que era anos atrás, mas temos um caminho longo pela frente, e a solução, sem a menor sombra de dÚvidas, passa pela valorização do profissional com melhores salários e o incentivo ao contínuo aperfeiçoamento profissional.

Pessoalmente, eu sou totalmente contra a tal “estabilidade” do serviço pÚblico vigente no Brasil. Como na iniciativa privada, deve ser mantido o profissional que dá resultados. Uma desburocratização seria interessante, entretanto, nós vivemos no Brasil, um país onde a corrupção impera e o concurso pÚblico é um dos mecanismos de “defesa” da máquina pÚblica.

Até a próxima, onde vou relatar um caso de fístula buco-sinusal. Espero vocês 🙂

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Sobre o autor

4 comentários

  • Também sou especialista em CTBMF mas na Prefeitura de Florianópolis atendo no CS. Adoraria também acolher todos os pacientes, mas no CEO é diferente colega. Aqui nem posso solicitar uma broca Zecria. Não posso solicitar uma pinça dente de rato, não posso solicitar cureta de Molt. Aqui fiquei 1 mês sem fio de sutura ( de seda mesmo). Não tenho RX nem aparelho de profilaxia/ ultrassom. Diferente do CEO, apesar de ser cirurgião por formação, minha demanda é gigantesca de crianças. Crianças que, com 6 anos tem 4 exodontias indicadas e 3 endodontias. Crianças de 10 anos com abscesso no 46, crianças de 2 anos com os dentes pretos. Tenho tentado fazer um trabalho de conscientização com os pais, para que estes pacientes nunca cheguem aos CEOs, mas confesso que vejo uma batalha perdida. Sou pai tbm e vejo que a percepção da saúde está complicada. Fazer filho é fácil……

    • Concordo com você, a diferença de estrutura deve ser levada em conta. Também trabalho em uma unidade de saúde e sei como é. Outro fator é a capacidade pessoal de cada um, se você é cirurgião é por que você domina essa área, outros profissionais podem não ter essa capacidade e somado a falta de estrutura encaminham pacientes que, pra você, são de fácil resolução. Acho que devemos pensar bem antes de escrever algo publicamente condenando profissionais que nem conhecemos ou sabemos as condições de trabalho.

  • Sou estudante de odontologia e quero me especializar em CTBMF,mas tenhi medo em relação ao salario e a rotina de trabalho…eai como a rotina e ganha-se bem ou mal??

  • atendo no serviço publico tbm, o problema que vejo em exodontias mais complexas é o tempo. atendo em média 12 pacientes por turno.. 20 min por paciente, nessa média.

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