Ortodontia – O “X” da Questão #8 – AEB, um aparelho em desuso

Hoje falarei de um assunto polêmico. Sei que muita gente não vai concordar, e respeito isso, assim como espero respeito à minha opinião sobre o AEB (arco extra-bucal), um aparelho que para mim, Fabrício, e para a minha rotina ortodôntica, não serve pra praticamente nada.

Quando digo praticamente nada, leia-se, só o utilizo, conjugado no aparelho Thurow, em casos de pacientes classe II esquelética, em fase de crescimento, cuja maxila esteja com crescimento acentuado e mandíbula normal. Nesses casos uso o Thurow para intruir e distalizar/conter essa maxila, e nisso ele é quase imbatível. Mas só. E pra mais nada. E zéfini.

Sei que muitos ortodontistas devem estar loucos pra fechar esse post agora, de tanta raiva, mas peço que tenham um pouco de paciência e terminem a leitura. Não quero convencê-los de nada. O que desejo aqui é apenas promover um debate sadio, baseado nas informações que postarei abaixo.

Para melhor ilustrar, segue uma lista de indicações do uso do AEB, citadas por ortodontistas que seguem a nossa página, e alguns outros colegas, aos quais consultei no particular, com a seguinte pergunta:

Vocês ainda utilizam o AEB nas rotina ortodôntica de vocês ???

Se sim, pra quais finalidades ???

Abaixo de cada uma delas, citei as opções que julgo, fazem o mesmo efeito dele, quando não fazem melhor:

Como agente de ancoragem

Sério que depois da popularização dos mini-implantes, ou micro parafusos ortodônticos, alguém ainda usa AEB como auxiliar de ancoragem ???

Correção da má oclusão Classe II dentária

Quem conhece os distalizadores tipo cursor, ou sliding jig, como queiram, também sabe que distalizações nunca mais precisarão de nenhum AEB para serem feitas.

Expansão leve da Maxila

De novo, para mim o AEB não é necessário. Não são muitos os colegas que o utilizam para essa finalidade, mas existe quem o faça. Qualquer expansor de Maurício, encapsulado ou não, faz o mesmo efeito. Ou pode-se utilizar o arco expandido. Ou os auto-ligados. Enfim. Basta perguntar aos pacientes qual aparelho eles preferem usar.

Correção de Overbite positivo e negativo

Mais um caso em que o nosso amigo AEB não é necessário. Intruir e extruir segmento posterior pode ser feito com facilidade se utilizados acessórios simples como placas batente e os nossos já mencionados mini-implantes.

Junte a tudo isso os componentes de cooperação do paciente, que fica extremamente prejudicado quando o AEB entra na jogada, por óbvios motivos estéticos, e o componente de segurança, que apesar de raro, pode trazer problemas sérios a pacientes e dentistas.

Não estou dizendo que o AEB não funciona. ELE FUNCIONA SIM E MUITO BEM.

Se você se dá bem com ele, ou se por acaso não está atualizado ainda para aplicar alguma dessas opções que citei, continue o usando e seja feliz. Ninguém vai te julgar por isso. Mas saber que elas existem é sua obrigação.

Só acho que nos dias de hoje, com essas opções mais modernas, estéticas e eficazes, você ortodontista deve pensar em, no mínimo, oferecê-las a seus pacientes. Isso funciona inclusive como marketing pra sua clínica. Ser conhecido como o ortodontista que vira e mexe instala um “freio-de-burro” nos seus pacientes não é uma boa ideia. E engana-se você se não acha que os pacientes pensam assim. Pois eles pensam.

Abração, comentem aí, e até a próxima. 🙂

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Comentáros

comentários

Fabrício Mendes
Fabrício Mendes
Fundador do Vida de Dentista

4 Comentários

  1. Michel Lanes disse:

    Uso muito aeb e acho que vou continuar a usar por muito tempo. Não há ainda aparelho melhor para correção de classe ii com distalização dentária ou controle de crescimento maxilar na dentição mista. Qualquer outro, ou gera efeitos colaterais ou não pode ser usado nesta fase.

  2. Augusto Iunes disse:

    Também não uso AEB por haver recursos diversos para substituí-lo. Além disso, há uma resistência cada vez maior por parte dos pacientes quanto a este tipo de aparelho. Ao contrário da minha geração, a garotada de hoje não aceita argumentos de “autoridade”. São questionadores e contestadores (a meu ver há pontos positivos e negativos nisso) o que nos obriga, na minha modesta opinião, a procurar novas abordagens.

  3. Everton Diego Araújo disse:

    Olá, lí o post e os demais comentários. Todos aqui já deram sua opinião como profissionais, mas agora é minha vez de dar a minha opinião como paciente e futuro odontólogo. Usei AEB durante pouco mais de dois anos; do ponto de vista estético tenho todos os motivos possíveis para não recomendar a prescrição destes tipos de aparelhos. Sem contar no quesito conforto e qualidade de vida que deixam muito mais a desejar. Foram os piores dois anos da minha vida. Foram noites sem poder dormir, com dores causadas pelas escoriações e as demais lesões na mucosa oral, a fala também fica comprometida, pois é bem complicado falar com tudo aquilo enfiado na sua boca… Poderia listar inúmeros motivos, pelos quais eu recusaria passar por aquilo outra vez, no entanto, no meu caso, foi necessário e o tratamento foi efetivo, de fato. Como futuro profissional irei avaliar outras medidas alternativas ao uso de AEB, mas se necessário, estará entre as técnicas prioritárias.

    Grande Abraço!

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