Anestesia Canal Aberto Endodontia

Canal Aberto #12 – Anestesia em Endodontia

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Na nossa série de Endodontia hoje falaremos sobre a anestesia durante o procedimento

Quem trabalha em cidade pequena, como eu, ou atende um pÚblico de baixa renda/instrução, como eu, sabe da dificuldade que se tem em convencer um paciente com necessidade de tratamento endodôntico a realiza-lo, ao invés de extraí-lo. Trabalhei por algum tempo em serviço pÚblico e lá a situação era ainda mais complicada. Os pacientes à s vezes tinham uma pequena cárie na oclusal de um molar, o qual uma restauração resolveria tranquilamente, mas sempre se optava pela exodontia que o profissional não é obrigado a fazer, até porque é ele quem sabe se há ou não indicação.

O que quero dizer com tudo isso é que há uma explicação para esse comportamento.  Os pacientes colocaram na cabeça que, se restaurar, a restauração necessariamente “vai cair” e que quando cair vai doer muito mais que antes de restaurar e, pior ainda, colocaram na cabeça que fazer tratamento de canal dói, o que sabemos que não é verdade, pois o controle da dor está totalmente sob domínio do profissional que irá realizar o procedimento. Há também a justificativa por parte deles do “alto custo” em relação ao custo de uma exodontia mal sabem eles o quanto investimos para realizar com perfeição tal procedimento, mas não vou entrar nesses “princípios” porque tenho certeza que todos nós sabemos rebater esse argumento absurdo.

O objetivo da anestesia é promover um total controle da dor durante o procedimento por completo e, tendo em vista que o tratamento endodôntico é um procedimento geralmente demorado, precisamos além de dominar a técnica, escolher um anestésico que promova além de total controle da dor, duração suficiente para a realização deste e, com isso, nosso paciente ficará tranquilo na cadeira, será colaborativo e o tratamento fluirá, pois na minha opinião, o controle total da dor é um dos fatores principais, senão o principal, para o condicionamento dos pacientes na endodontia.

Dentre os anestésicos mais utilizados na prática endodôntica, destaco a Lidocaína 2% associada à  Epinefrina 1:100.000, Articaína 4% associada a Epinefrina 1:100.000 e Mepivacaína 3%  sem vasoconstrictor os quais devem ser escolhidos de acordo com as condições sistêmicas dos pacientes. Dentre as três, opto em todos os casos possíveis pela Articaína, já que vários estudos e minha prática diária me mostraram sua eficácia mesmo em casos onde há lesão de origem endodôntica ou periodontal, que dificulta a analgesia com a lidocaína, por exemplo, e sua durabilidade, me proporcionando realizar todo o procedimento, do início ao fim, com calma e sem dor, além de não precisar realizar “técnicas complementares” para obter sucesso. Mepivacaína só utilizo quando não é possível o uso do vasoconstrictor.

Independente de tudo isso, o fundamental é ter consciência de que um tratamento livre de dor é muito mais tranquilo para o paciente, fazendo com que ele não apenas retorne, mas indique você para conhecidos que necessitem do seu trabalho, pois não há propaganda mais eficiente tanto positiva quanto negativa do que o popular “boca a boca”.

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