Endodontia

Canal Aberto # 10 – Pré-natal odontológico e endodontia para gestantes: uma nova visão.

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Na nossa coluna “Canal Aberto” de hoje falaremos sobre o pré-natal odontológico e sobre uma nova e moderna visão sobre endodontia para gestantes

Sabemos que a gestação é uma fase onde a mulher encontra-se bastante sensível, porém extremamente receptiva para novas informações. É também a fase onde ela é capaz de mudar toda a sua rotina e hábitos em função da saÚde do seu bebê e é nessa fase onde o cirurgião dentista, no pré-natal odontológico, deve intervir de modo a reeduca-la no sentido da higiene oral bem como na prevenção das doenças bucais de modo geral.

Sabemos também que é no segundo trimestre gestacional a melhor e mais segura época para a realização dos procedimentos odontológicos, porém, seria ideal se todas as mulheres que pretendem engravidar visitassem o cirurgião dentista previamente, para avaliação da saÚde bucal a fim de prevenir intercorrências durante a gravidez, mas caso a gravidez não tenha sido planejada ou por qualquer outro motivo a consulta odontológica prévia não seja possível, é imprescindível que a gestante busque um cirurgião dentista logo que a gestação seja confirmada, evitando que possíveis urgências ocorram em fases menos propícias para a nossa intervenção. Dentre as intercorrências odontológicas mais comuns durante a gravidez podemos destacar as doenças gengivais e periodontais, cárie e as tão temidas pulpites!

Anteriormente existia um maior receio por parte dos colegas ao intervir em pacientes gestantes, mas não existe justificativa plausível para deixar uma paciente gestante sem atendimento, tendo em vista que os riscos de uma infecção e até mesmo as substâncias liberadas pelo alto nível de stress que, por exemplo, uma pulpite trás são bem maiores que os riscos do procedimento em si. Cabe somente ao cirurgião dentista avaliar se ele tem capacidade e conhecimento suficientes para intervir com segurança e, caso não se sinta seguro, encaminhar!

O que JAMAIS pode ser dito é aquela velha frase que pacientes gestantes não podem ser atendidas, que só podem ser atendidas com autorização médica, não podem fazer radiografias, ou até mesmo serem submetidas a anestesia, pois quem estuda sabe que isso não passa de mito e, para convencer a paciente de que isso é mito vai tomar algumas horas do profissional que se propuser a intervir.

A radiação liberada por uma tomada radiográfica não é suficiente para causar más formações fetais, ainda mais blindadas pelo nosso querido avental de chumbo! Ainda nas aulas de anestesiologia aprendemos que a lidocaína é o fármaco de escolha para os procedimentos em gestantes e, se bem aplicado, apenas um tubete é suficiente para a realização da cirurgia de acesso para alívio da dor. Nós tivemos aulas de anestesiologia, nós sabemos qual fármaco usar então, de modo geral, não precisamos que um médico nos informe isso, ou precisamos? Abre-se exceção para gravidez de risco, pacientes alérgicas, etc.

Se a emergência ocorrer ainda no primeiro trimestre, a minha conduta pessoal é fazer o acesso (medicação intra canal e selamento provisório) e esperar até o segundo trimestre para a conclusão do tratamento endodôntico, apenas para “desencargo de consciência”, pois já foi tão propagada a ideia de que gestantes não podem ir ao dentista que, caso ocorra um aborto espontâneo por qualquer outro motivo no universo, a gestante vai cismar que foi por causa do procedimento que você fez e nada tirará isso da cabeça dela.

Quando ocorre no segundo trimestre, informo a paciente de que o bebê dela está seguro, que meu procedimento não trás riscos, ela assina um termo de consentimento livre e esclarecido e faço o procedimento em duas sessões, nunca em sessão àºnica, já que ela não pode passar muito tempo deitada por comprimir vasos sanguíneos.

Quando ocorre no terceiro trimestre realizo apenas a cirurgia de acesso como na primeira fase e peço que retorne após o parto me isentando da culpa (que não seria do meu procedimento) por um possível parto prematuro, mas essas são as minhas condutas de acordo com os conhecimentos e experiências que eu tenho bem como a cultura e nível de conhecimento e instrução da população que eu atendo, cada colega atende a uma população de realidade diferente e é (repito) o àºnico a quem compete avaliar se deve ou não e como intervir com responsabilidade não apenas nos casos de pacientes gestantes, mas com nossos pacientes de forma geral!

Acredito que nossa profissão é recheada de mitos (ex: antibióticos enfraquece os dentes? rsrsrs) e cá estamos nós, profissionais amantes do nosso ofício, para desmistifica-los! 🙂

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