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Como dar más noticias na Odontologia

Nem todos sabem como dar más notícias na Odontologia, mas é fundamental aprender para fazer esse momento ser o mais profissional e indolor possível.

Quando as notícias são más, ainda podem piorar se a forma como são anunciadas não for a melhor. Claro que comunicar ao paciente ou a sua família o sucesso do tratamento sempre é agradável, mas comunicar um mal prognóstico, falha no tratamento, baixa qualidade estética final, atrasos com o protético, reabsorções, fraturas dentais, aumento de custos e principalmente a não osseointegração, comumente chamada pelos pacientes de rejeição(SIC) não é tarefa simples.

Tudo isso se resume a não corresponder as expectativas do paciente. Dar más notícias já não é tão fácil, principalmente porque pode gerar no paciente ou nos familiares reações de difícil controle.

Levando em consideração que os cirurgiões dentistas são profissionais da saÚde e vivem frequentemente a perda de órgãos dentais, de sustentação ou protéticos, comunicar uma má notícia é algo que gostaríamos que fosse feito por outro em nosso lugar, afim de evitar passar a sensação de fracasso a nossos pacientes.

Uma das principais barreiras identificadas é aquela criada por implicações emocionais superpostas. Eu mesmo sentia muita dificuldade em abordar especificamente mães que apresentavam filhos jovens com necessidade de extrações mÚltiplas. Sofria bastante, e ainda sinto. Sabemos que não é ensinado nada disso nas nossas faculdades. Aprendemos a diagnosticar, a tratar, a prognosticar, mas dar uma má notícia, principalmente sobre o fracasso, é algo que não nos ensinaram e vamos aprendendo ou não com o passar tempo, muitas vezes em ocasiões que expõem acadêmicos e profissionais a situações constrangedoras e de intensa carga emocional.

Existem maneiras, que não facilitam, mas auxiliam esta tarefa, e estas técnicas de comunicação foram decisivas para que eu pudesse superar minhas limitações. Fundamentos simples ou de boas maneiras para que o cirurgião-dentista crie um ambiente de respeito e de solidariedade com o próximo. Esta seria a tal atitude esperada dehumanização.

Fica claro a importância de ter um lugar reservado e não a sala clínica desconfortável, ou o corredor para conversar com os familiares. Não permanecer em pé, conseguir um lugar em que todos possam estar sentados, ter uma postura de escuta ativa, aonde os cirurgiões-dentistas, escutam sem interrupções, estimulam a formulação de perguntas e respondem suas perguntas com clareza.

Alguns aprendem, mas optam pela indiferença. à? considerada uma técnica de preservação, mas certamente não está ajudando quem recebe a notícia, e essa reação refletirá diretamente na relação dentista-paciente-familiares. Tudo que os pacientes precisam nesse momento é compreensão, apoio e preocupação, com as resolução do caso por parte do profissional. à? sentir, nem que seja apenas no olhar de quem está transmitindo a má notícia, que esse profissional se importa com o que está sendo comunicado.

Ã? considerado um dos momentos de maior grandeza da clínica odontológica e um dos mais difíceis, mas quando estamos preparados, o momento pode ser importantíssimo e muito especial para nós e para quem recebe a notícia.

Como dentistas, precisamos nos preparar para isso, seja para situações de mau prognóstico e fora de alcance terapêutico. Para isso devemos sempre estar atentos a expectativa do paciente e encarar que, em se tratando de saÚde bucal, as garantias de resultados e de durabilidade geralmente estão além da capacidade do profissional de predizer o futuro.

Não há uma fórmula pronta ou um texto decorável para que possamos dar as más notícias. Porém, existem protocolos que ensinam técnicas que podem nos ajudar a lidar melhor com estas situações, o mais famoso entre eles é o Protocolo SPIKES, que descreve seis passos de maneira didática para comunicar más notícias aos pacientes.

Todavia, não podemos esquecer que os pacientes possuem vivencias diferentes e cada um reage de forma singular face ao adoecimento, tratamento e desfecho das suas condições médico-odontológicas. Devemos ser empáticos e lembrar que toda a prática é alicerceada por uma boa relação profissional-paciente e neste caso não seria diferente.

Mesmo para o dentista mais experiente, nem sempre é fácil ser o porta-voz de fatos que vão mudar invariável e a vida social e financeira do ouvinte. Então, o que fazer nesta hora ???

Devemos falar de uma vez ou começar com uma série de frases introdutórias, no estilo o gato subiu no telhado ??? Devemos amenizar e dizer quetudo vai ficar bem ou dizer toda a verdade ???

Não existe um métodogold standard”. O ideal é primeiro se preparar.

Certifique-se de que todas as informações estão corretas;
Separe um lugar e tempo adequados;
Desligue seu celular e dê atenção total ao seu paciente;

Depois, você pode verificar o que o paciente já sabe, se está preocupado e o que já lhe disseram. Também seria bom perguntar se quer saber de todos os detalhes. Ã?s vezes a presença de alguém próximo é benéfica, outras vezes não.Então, sugere-se usar umwarning shot, frases precursoras que o preparem a notícia. Exemplo: “os resultados dos seus exames radiográficos chegaram (pausa) eu tenho más notícias (pausa) infelizmente, você perdeu os implantes”.Depois, o aconselhável é dar tempo para absorver todas as informações, respondendo a todas as dÚvidas. Ao falar do prognóstico use frases comoem minha experiência e dê um prazo real e flexível comoentre meses a anos.

Veja se o paciente tem condições emocionais para novo o tratamento e finalmente deixe por escrito todas as instruções para o tratamento, junto com a cópia de todos os exames e alguns artigos impressos em linguagem mais simples para que ele possa se informar mais. Não se esqueça de já encaminhar para o especialista na área caso seja necessário, e se você for o responsável pelo caso, já marque as próximas consultas ou sessões de tratamento.

Vamos nos preparar !!! Nossos pacientes merecem. 😀

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(via Wami Momose)

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Fabricio F. Mendes .'.

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