Endodontia

Canal Aberto #4 – Revascularização, a Endodontia do futuro ???

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Estaria a endodontia, como se conhece hoje, com os dias contados ??? Conheça a revascularização, ou tratamento endodôntico regenerativo (T.E.R.)

A endodontia como se conhece hoje em dia pode estar com os dias contados. Tudo porque está sendo testado em universidades britânicas o tratamento endodôntico regenerativo (T.E.R.), que se baseia no princípio da revascularização do dente contaminado.

O estudo está sendo feito basicamente em dentes jovens, que ainda não possuem o ápice totalmente formado. Visa trazer ao paciente o conforto de tratar o dente que muita das vezes já está com a coroa em estágio avançado de destruição e tem sido testado inclusive em dentes com abcesso.

A ideia é substituir as velhas sessões de troca de hidróxido de cálcio, que induzem lentamente a apicificação , que apesar de ser um tratamento previsivelmente favorável, tem as desvantagens do longo tempo de duração e das possíveis recontaminações durante o período em que o paciente está com o selamento provisório. enquanto que o T.E.R. auxilia o organismo a terminar a formação da raiz em todo seu comprimento e não apenas na apicificação.

Seu método de aplicação consiste na desinfecção química através da realização de uma irrigação passiva (sem instrumentação) por um período de 20 minutos pelo menos, utilizando como substância química auxiliar o hipoclorito de sódio a 5,25%, (estão sendo realizados testes utilizando-se também a clorexidina em gel, e o hipoclorito de sódio em diferentes concentrações  junto ao peróxido de hidrogênio a 3%).

Após essa irrigação, o canal é preenchido com uma pasta antibiótica tripla, contendo  metronidazol, ciprofloxaceno e minociclina, permanecendo como medicação intra-canal  por um período de duas à  três semanas, e após isso, o paciente retorna em consulta onde é retirada essa pasta e são feitas micro cortes no sistema de canais radiculares, afim de estimular o sangramento. Sobre o coágulo que se forma é depositado um novo biomaterial endodôntico denominado CEM (mistura de cálcio enriquecido) e esse, por sua vez, tem a função de promover um bom selamento dentro do canal, permitindo um desfecho favorável, que pode ser radiograficamente detectado com diminuição da rarefação óssea apical em meses.

Apesar de ser um método que pode vir a revolucionar o tratamento endodôntico, suas pesquisas ainda são recentes e não se tem muitas notícias sobre acompanhamentos em um longo período, para sabermos se é realmente tão eficaz. Só nos resta aguardar, ficarmos ligados nas notícias que dizem respeito à  esse assunto e torcer para que, assim como os rotatórios e localizadores apicais, que vieram para facilitar e tornar mais confortável o tratamento endodôntico, a T.E.R. venha a ser uma alternativa viável nos nossos consultórios. Estamos acompanhando, e torcendo para isso!!!! 😀

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8 comentários

  • Minha torcida também é grande pela inovação, mas estou me perguntando qual a vantagem disso? Pelo que entendi é somente o fato de terminar em menor tempo, afinal, pela imagem foi feita uma obturação dos 2/3 iniciais do canal. Como se terá certeza da revascularização? A função da polpa que é manter a umidade e a reparação tecidual, pelo visto se perde. Terminar, restaurar e depois não ter sucesso… Muitas perguntas. Vamos aguardar.

  • Também mantem o restante da polpa vital… pode-se ver na imagem que o(s) canal(is) distal(is) praticamente obliterou. Sinal que a polpa está vivinha e com odontoblastos funcionais… talvez num caso onde o destruição coronal não seja tão grande, possa-se manter toda a polpa radicular…
    Mas como vc disse… vamos aguardar…

  • Audrea Nogueira e Fabricio legal essa visão da luz do canal, era isso que eu queria enxergar como diferença, a atividade celular. Muitas perguntas ainda, e para casos muito específicos, mas seria uma evolução e tanto. Votamos a manter o coto hehehe! Outra duvida é quanto ao uso do hipoclorito na irrigação, ainda que passiva. Ele não destrói o tecido? Vamos aguardar, e torcer 🙂

  • Celia Grilli Barral , destrói… mas bactérias também. Sabemos hoje que a destruição se mantém quando há um foco biológico de infecção… Do contrário, ela estaciona e proporciona a reparação tecidual, dada ali pela revascularização. Ã? muito promissora a pesquisa. Mas ainda tem muito a ser estudado. Quero ver um dia um dente ser REVITALIZADO… por células tronco. Então daremos adeus às endos…

  • Audrea Nogueira não amiga, o que eu quis dizer é que se ele destrói, não mortificaria a polpa toda? Se bem que o contato do hipoclorito com a polpa deveria ser por longo tempo para destruí-la totalmente, né? Eu tbem torço pela revascularização daí não daríamos adeus a endo, mudaríamos a ação. Até porque, para grandes destruições acho que as boas e velhas limas ainda trabalharão muito. Obrigada por compartilhar seu conhecimento 🙂

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