Câncer de Boca Papo Sério

Exame Clínico – A hora mais importante do tratamento

Se você é daqueles dentistas que costuma dar “olhadinhas”, aprenda aqui porque o exame clínico é a hora mais importante do tratamento odontológico

“Eu prestava serviço em uma clínica em outra cidade meses  atrás. Tinha uma THD/secretária maravilhosa nessa clinica, a Tati, que sempre foi super bacana comigo, tratava bem os pacientes, estava sempre sorrindo e fazendo seu trabalho com amor. A clínica entrou em reforma, fui trabalhar em outro lugar e acabei perdendo o contato com ela.

Há mais ou menos 2 meses a secretária de onde eu trabalho hoje (que é amiga de infância e vizinha da antiga colega) veio me contar que a Tati foi diagnosticada com câncer. Isso já foi o suficiente pra me deixar triste. Ela tem 29 anos, um filho de três, vaidosa, casada, feliz. E sentenciada a tratar uma doença traiçoeira, que pode deixar sequelas ou até mesmo levar à  morte. Mas o que me chateou mesmo foi saber que ela teve um câncer de boca. DE BOCA, SABE? De língua, aquele pedacinho de mÚsculo sensitivo e motor que fica na cavidade oral e que deve ser examinado e diagnosticado precocemente por quem? Pelo cirurgião-dentista. Nós, no caso.

Passei o fim de semana pensando se eu podia ter feito alguma coisa. Ela estava com uma afta durante meses, mas nunca reclamou pra ninguém. Trabalhando com dentistas, ela já viu um sem nÚmero de aftas na boca dos pacientes e jamais imaginou que a dela seria diferente. Sempre trabalhou com todo o equipamento de segurança necessário, nunca pediu pra ser examinada. Mas felizmente os donos da clínica onde ela trabalha são dentistas supercompetentes, assim que viram a língua da Tati já providenciaram tudo, e em menos de 20 dias ela foi operada. Está se recuperando, já tirou a sonda e está agradecendo a Deus pela nova chance de viver.

O que eu quero dizer com essa estória toda? Várias lições podem ser tiradas: Não podemos ser desatentos nos exames clínicos, mesmo que seja aquelaolhadinha ou umorçamento, não devemos nos descuidar dos equipamentos de proteção, precisamos estar atualizados e prontos para um caso mais complexo (ou saber como, para quem e quando encaminhar um paciente, ninguém precisa saber tudo).  Mas o que eu queria mesmo dizer é: Não sabemos como vai ser amanhã. Somos dentistas por vocação, é a nossa profissão mas isso não deve ser tudo o que você é. Seja também amigo, familiar, tenha tempo pra se divertir, pratique atividade física, busque alguma coisa fora da odontologia que te dê prazer. Não seja escravo da sua profissão (E sabemos o quanto ser dentista pode ser escravizante). Nenhum de nós jamais imaginou que uma amiga teria uma doença tão séria sendo tão nova, bonita e bem debaixo do nosso nariz. Ela felizmente foi tratada a tempo e está bem, mas poderia não ter tido essa sorte. Poderia (e ainda pode) ser comigo. E se acontecer? A odontologia põe o pão na nossa mesa mas não vai nos salvar de todos os males. Aprender é bom, trabalhar é ótimo, ganhar dinheiro melhor ainda. Mas o dinheiro não compra tudo. Pensem nisso”

Um abraço,

Nana

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Ana Paula Pasqualin Tokunaga

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