Dicas Marketing

Marketing em Odontologia #4 – Fale a língua do paciente

No 4º post da nossa série de Marketing em Odontologia, a importância de nós dentistas falarmos sobre os tratamentos numa linguagem em que o nosso paciente seja capaz de compreender.

Falando mais uma vez de Marketing em Odontologia pra vocês, constatei que um erro frequente e que por diversas vezes aumenta a distância profissional-paciente é o fato de muitos colegas insistirem em usar de um vocabulário científico demais com sua clientela, principalmente durante a consulta inicial, ou de orçamento, como queiram. Minha opinião é de que o dentista deve falar a língua do paciente. Fale a língua do paciente e tudo fica mais fácil.

Precisamos ter a sensibilidade para discernir que tipo de informação cada paciente é capaz de absorver. De nada adianta esbanjar cultura clínica e expressões , se na prática, o paciente não conseguir entender 10% do que foi falado. O Brasil é um celeiro de dialetos e expressões regionais. O dentista precisa ser poliglota, dentro do seu próprio idioma.

Se fazer entender por alguém que está com dor de dente é difícil. A cabeça da pessoa à s vezes invariavelmente foca só na dor – e com razão – ficando assim impossível assimilar o que o dentista diz. Sugiro que nesses casos, se anestesie o paciente para depois conversar. Assim você terá, além de sua gratidão eterna, toda a sua atenção.

Analise seu paciente. Invista 2 minutos de prosa nele. Nesse tempo você terá uma noção da capacidade dele de assimilar tudo que lhe for dito. à?s vezes as notícias que temos pra dar não são tão boas assim.

Exemplo bem humorado de paciente que não entendeu o que o dentista falou =)

Quem faz ortodontia sabe. Atendemos muitos adolescentes e o vocabulário dessa turminha é bastante “transado”. Não é raro ouvir gírias e expressões da moda durante as consultas. Custa alguma coisa entrar “na onda” e responder de uma maneira mais “irada” a dÚvida que seu paciente tem ??? Não custa NADA. Pelo contrário. Isso gera é um retorno pra você.

Existe também a outra face da moeda. Os pacientes com pouca (ou nenhuma) cultura. A esses a atenção deve ser redobrada pois seu nível de compreensão não é alto e tudo tem que ser explicado de maneira compreensível.

Vejam os exemplos abaixo:

Qual dessas duas maneiras de informá-los de um quadro de PULPITE será melhor compreendida ???

“O senhor tem uma inflamação pulpar do tecido conjuntivo frouxo e especializado, com ou sem infiltrado celular inflamatório, que situa-se interno ao órgão dental, como consequência de agentes físicos, químicos ou biológicos. Por isso precisarei acessar a sua câmara pulpar, perfurando-a, afim que seu conteÚdo extravase e alivie a pressão interna causada pelo excesso de gases e exsudato. Posteriormente será feita a remoção químico-mecânica do material remanescente e o preenchimento dos condutos com materiais obturadores afim de evitar nova manifestação e/ou proliferação de bactérias, eliminando assim a sintomatologia dolorosa que hoje o acomete”

ou

“O dente do senhor “deu canal” só vai parar de doer se eu anestesiar, abrir, curar e se fizer o tratamento”

Ã?bvio que eu exagerei. Mas conheço e garanto que vocês também devem conhecer colegas que se aproximam bastante desse primeiro jeito de ~diagnosticar~. E pra piorar, rezam esse abecedário catedrático pra TODOS os pacientes. Depois não sabem porque uns saem correndo e não voltam nunca mais.

Pra quem vai informar, mais importante do que saber, é saber se fazer entender.

Por isso amigo dentista, tenha bom senso. Os pacientes estão ali, de boca aberta, tensos, com medo e dando a unha do mindinho por uma boa notícia e pelo alívio da dor. Não custa nada facilitar a vida deles e principalmente, a sua. Dispa-se de sua vaidade e guarde pra si essas expressões novas que você leu no livro ou aprendeu na especialização. Na prática odontológica atendemos a todo tipo de paciente. Não há de faltar quem tenha condições de entendê-las.

O “velho guerreiro” Chacrinha já dizia: “QUEM NÃ?O SE COMUNICA SE ESTRUMBICA”

Talvez essa seja uma das principais lições de marketing que eu possa transmitir aqui. Deveria ser ensinado isso na faculdade de Odontologia. Fale a língua do seu paciente. Isso o fidelizará. Garanto que sua taxa de conversão das consultas iniciais (orçamentos fechados) vai aumentar. Faça o teste e depois conte aqui como foi o resultado. Boa sorte !!! 😀

 

 

Comentários

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Sobre o autor

Fabricio F. Mendes .'.

5 comentários

  • Minha opinião é que devemos falar sim de maneira científica, porém, sempre explicar depois o que está sendo falado numa linguagem mais popular! Dessa maneira nos colocamos no nosso lugar como odontólogos e o paciente logo cria mto mais respeito por nós, pois vê q nós sabemos o q estamos fazendo.. Vcs não concordam??/

      • Já eu uso a linguagem científica quando tenho que me livrar rápido do paciente. Por exemplo, agenda atropelada e TENHO que atender uma urgência:
        – olha, seu fulano, seu dente deu canal, vou fazer algo para ele parar de doer agora, mas depois temos de continuar o tratamento, ok? Senta aí…
        – Mas ‘peraí? Já fiz canal outras vezes, mas não sei o que é mesmo… dá pra explicar?
        – Claro! Ã? a remoção do tecido vásculo-nervoso que se encontra na câmara pulpar, esterilização química da mesma e fechamento hermético com material termoplástico que…
        -Ah, bom… pode anestesiar…
        Ã? rápido e o paciente ainda acha que sou educado!!!!

    • O “ace in the hole” está em identificar qual melhor o melhor vocabulário para cada paciente, popular, científico, ou os dois associados, como sugeriu a Silvia. O grande profissional se diferencia nos detalhes!

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