Reciclagem de tubetes de anestésico

Em tempos de aperto financeiro, onde a economia só não é mais incerta que a política, lembro do século passado, mais especificamente os anos 80, um período complicado quando uma hiper inflação fazia produtos e serviços terem dois preços diferentes no mesmo dia.

Alguns tipos de serviço eram taxados em dólar e cobrados na cotação do dia. Tempos quase tão bicudos quantos os atuais. Nessa época, a maioria das famílias estava sempre preocupada com o ensino do valor do dinheiro e a obrigatoriedade de usar completamente todos os recursos antes de pedir por novos.

A moeda das crianças da minha época era commodities como bolinhas de gude, lápis de cor e lápis preto número dois. Alguns sortudos, que podiam ter acesso a um conhecido no porto ou a um maleteiro do Paraguai, tinham o luxo de uma lapiseira. Mas esta é outra história; eu tinha o bom e velho lápis.

E, quando eu pedia um lápis novo, tinha que apresentar o cotoco do antigo. A pegadinha dos meus pais, dentistas formados nos anos 60, é que a maioria dos cotocos ganhava uma extensão feita com tubete de anestésico usado que estendia a vida do quase falecido até um mini pedacinho grande o suficiente para entrar no apontador.

Quando eu era criança, lá nos anos 80, o tubete era apenas lavado com água e sabão e estava pronto para prolongar a vida do toquinho a tamanhos nunca imaginados.

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