Ortodontia – O “X” da Questão #7 – Prescrições Ortodônticas

Na década de 70, o Dr. Lawrence F. Andrews introduziu o sistema de braquetes pré-ajustados, com seu aparelho straightwire, sendo o precursor assim a um termo bem conhecido pelos ortodontistas: A PRESCRIÇÃO.

Desde então, diversos autores e estudiosos da ortodontia desenvolveram novas técnicas e prescrições diferentes da original. Hoje em dia, há a disponibilidade de diversas prescrições no mercado, o que dá aos ortodontistas uma gama enorme de opções para que ele eleja, de acordo com os seus conhecimentos e objetivos, a sua prescrição de trabalho.

Quando falamos em braquetes pré-ajustados, nos referimos àqueles que vem de fábrica com angulações e inclinações (torque) pré-definidos, e prontos pra se manifestarem assim que interajam com arcos retangulares que preencham parcial ou totalmente o slot dos mesmos.

Vamos falar um pouco aqui de algumas das prescrições mais conhecidas, sem o objetivo de qualificá-las, sendo esse post apenas uma ferramenta para que os dentistas, ortodontistas ou não, saibam um pouco mais sobre elas. As prescrições aparecerão em ordem alfabética:

ALEXANDER

Nestes braquetes, idealizados por Richard G. Wick Alexander, temos duas diferenças significativas para os tradicionais. A primeira é que os braquetes de pré-molares e caninos superiores e todos os braquetes inferiores possuem apenas duas aletas ao invés de quatro e também possuem dois “braços” ou “asas”no sentido mésio-distal, o que confere ao aparelho um maior momento de força do arco sobre o braquete. Isto proporciona um giro mais rápido do dente se comparado aos braquetes tradicionais  O fato de ele possuir apenas duas aletas faz com que o atrito entre o braquete e o arco seja menor, proporcionando movimentos dentários mais rápidos. Outra diferença importante é o tamanho do slot deste tipo de aparelho. O slot é a parte onde vai ser encaixado o arco dentro do braquete. Nos braquetes tradicionais o slot é 0.22 enquanto que no Alexander, o slot é 0.18. Esta diferença de tamanho faz que com o caso seja realizado com menor número de arcos diminuindo o tempo de tratamento.

Entretanto, este sistema de braquetes também possuem suas desvantagens. A primeira é que normalmente ele causa uma inclinação excessiva dos dentes para fora. Em alguns casos, isto é permitido e até necessário, mas para outros, não. O fato de ele acelerar o processo, também pode acelerar o aparecimento dos problemas nos casos em que o paciente falta às consultas.

ANDREWS

Primeira prescrição conhecida e lançada pelo Dr. Lawrence F. Andrews. Tinha como característica principal a inclusão de ajustes que, quando associados a arcos de maior calibre, promoveriam movimentações dentárias que alterariam a angulação e a inclinação dos dentes aos quais seus braquetes fossem colados.

CAPELOZZA

Idealizada pelo Dr. Leopoldino Capelozza Filho, essa prescrição tem como um dos seus pilares a individualização das angulações e inclinações de acordo com o padrão facial de cada paciente. Portanto, um Capelozza classe I é diferente de um Capelozza pra um um classe II que por sua vez não é igual a um Capelozza pra pacientes classe III.

EDGEWISE

Também conhecida como “Técnica do Arco de Canto”, a técnica Edgewise  foi idealizada pelo Dr. Edward Hartley Angle (o mesmo cara que classificou as maloclusões) em 1928. Trata-se de uma prescrição onde não há nenhuma angulação e inclinação nos braquetes, devendo essas serem confeccionadas manualmente nos arcos pelo próprio ortodontista.

Surgiu quando Angle, depois de muita tentativa e erro, criou um braquete que consistia em uma caixa retangular com três paredes internas, com dimensões de 0,022 polegadas de altura e 0,028 polegadas de profundidade, com o seu slot aberto horizontalmente. Este novo braquete que hoje já é bem diferente do original, possibilitou uma maior exatidão nos movimentos e, deste modo, demonstrou ser um mecanismo mais eficiente de controle de torque, grandeza antes não controlada pelos ortodontistas

M.B.T.

MBT é uma sigla proveniente da abreviatura dos nomes McLaughlin, Bennett e Trevisi, os ortodontistas que em 1997 lançaram essa prescrição, que é bastante adaptável à várias necessidades clínicas. Sua filosofia está centrada na seleção de braquetes enfocada no paciente, com controle de arco estável, forças biomecânicas de deslizamento leve e contínuas, colocação precisa dos braquetes, diagnóstico eficaz e planejamento do tratamento.

RICKETTS

Idealizada por Robert M. Ricketts essa filosofia de tratamento ortodôntico almeja realizar um tratamento ortodôntico biologicamente confiável, através de um sistema mecânico simples e utilização de forças leves. Ricketts tomou como referência o seccionamento dos arcos, sugerido por Burstone, idealizando uma mecânica segmentada, com o arco base e suas variações.

ROTH

Talvez seja essa  a prescrição mais utilizada por ortodontistas em todo o mundo. Nasceu dos ideais do Dr. Ronald Howard Roth, que definiu a sua “Filosofia Roth” como sendo é um “sistema baseado em objetivos de diagnóstico e planos de tratamento”. Roth preconizava que todos os diagnósticos deveriam ser feitos com o paciente em relação cêntrica, pois o diagnóstico feito a partir de uma posição condilar ótima, permite ao ortodontista reconhecer a má oclusão totalmente e fazer um plano de tratamento para corrigir a oclusão com os côndilos bem posicionados e alinhar os dentes de maneira a ter uma oclusão e as articulações em harmonia, permitindo uma função apropriada

Na imagem abaixo, veja algumas medidas comparativas entre as prescrições acima:

tabela prescricoes

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Comentários

Um comentário em “Ortodontia – O “X” da Questão #7 – Prescrições Ortodônticas

  • 30 de janeiro de 2015 em 15:45
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    Fico emocionada de imaginar que tem gente que domina isso tudo. Eu me perdi logo que li "slot". Nesse momento pensei: Amo minha gattes!!! :) <3

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