Perfeccionismo Odontológico – A Receita do Desastre

dente-na-pprEsse texto foi enviado por um leitor que prefere não se identificar.

Resolvi postá-lo não porque represente a opinião desse site (pelo menos não totalmente), mas sim, porque a mensagem passada, mesmo que com palavras, expressões e opiniões polêmicas, pode ajudar a muitos colegas que sofrem desse mal que batizo aqui de “perfeccionismo odontológico“. E eu me incluo neles.

“Na minha experiência clinica, pude perceber, que geralmente os dissabores e as frustrações na minha práxis odontológica, são em sua maioria, uma falha tentativa de agradar incondicionalmente o paciente, geralmente tentando ir alem das expectativas do próprio paciente, querendo somente, superar as próprias expectativas profissionais, em uma tentativa de resolver tudo de maneira perfeita, traduzindo-se em uma espécie de complexo de Deus, na minha singela opinião.

O que faltaria para os cirurgiões dentistas em geral, seria estudo, experiência clinica, ciência de suas limitações profissionais e humanas e acima de tudo humildade, muita humildade. ? oportuno lembrar, o corpo humano foi sabiamente concebido para falhar a longo prazo, isso acontece com os olhos, com os rins com o coração, com a cavidade oral e todos seus acessórios não seria diferente.

A etimologia da palavra prótese do grego antigo prósthesis, “adição, aplicação, acessório” é o componente artificial que tem por finalidade suprir necessidades e funções de indivíduos sequelados por amputações, traumáticas ou não. Um dispositivo ou aparelho que tem por fim substituir um órgão de que se faz ablação ou amputação parcial ou total ou melhorar uma função. O que no popular significaria um remendo em algo que quebrou.

Mas isso não se limita a prótese dental. Praticamente não há cura, da doença propriamente dita, nas áreas das especialidades odontológicas, como vocês podem comprovar abaixo:

A Ortodontia, Na maioria dos casos a resolução ortodôntica se limita a compensar o paciente, ou seja não se resolve a discrepância, inter-maxilar, apenas se obtêm uma oclusão e estética satisfatórias a médio prazo, isso nos casos bem sucedidos.

A Endodontia, nada mais é que dar uma sobrevida (por tempo desconhecido) a um elemento dental praticamente perdido .

A Periodontia, é uma manutenção da doença, que normalmente traz mais prejuízos ao tecido subjacente que se extirpássemos os dentes de uma vez.

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Comentários

13 comentários em “Perfeccionismo Odontológico – A Receita do Desastre

  • 20 de junho de 2014 em 13:10
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    Excelente texto. Concordo com quase tudo que foi dito. Principalmente na periodontia.

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  • 20 de junho de 2014 em 10:21
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    Quanta besteira.. Descordo de 99% do texto. Para começar, nós dentistas, temos que ser perfeccionistas sim! O problema é que alguns colegas não sabem o significado dessa palavra! Fazer uma prótese, em condições não indicadas, não te torna um Deus, mas sim um ignorante, irresponsável, e as consequências aparecerão! Perfeccionismo é indicadar o melhor tratamento para cada caso, abaixando um pouco a bola e aceitando um tratamento interdiciplinar. E falar “não” à um paciente, também faz parte do perfeccionismo! E as definições de cada área? Nunca vi um conceito tão errado! Para começar que a ortodontia não é tão simples assim, a menos que você coloque o aparelho na 25 de março. A ortodontia juntamente com a cirurgia, corrigem descrepância sim. E quanto à dentística, essa descrição chegou a ser nojenta, prefiro não comentar.. Mas se um dentista pensa desta maneira, porque ele quer que o paciente o valorize?
    Péssimo, vergonhoso. Graças a muito trabalho, muito “não”, e muito trabalho interdiciplinar, meus pacientes valorizam o meu trabalho… Todos deveriam fazer isso… Aos que já fazem, parabéns.. Não somos nós, aqueles que puxam o nome da odontologia para baixo!

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  • 20 de junho de 2014 em 13:22
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    Texto reflexivo, nunca tinha pensado deste ponto de vista. Concordo e de uma certa forma até me conforta em saber que por mais que nos esforcemos não tem mesmo como sermos perfeitos na odontologia porque somos seres humanos com limitações e exercemos uma profissão que também tem suas limitações.

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  • 20 de junho de 2014 em 14:08
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    quando me formei perdi muitas noites de sono preocupada com casos de pacientes..hoje relaxei bastante (não estou relapsa ) pq senão , não conseguiria permanecer nessa profissão! ! optei por não ser perfeita e nem fingir que sou!! ps: tá, nem sempre consigo 🙁

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  • 20 de junho de 2014 em 14:19
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    ?timo texto. Merece a nossa reflexão quanto a prometer o que não estamos aptos a cumprir. Perfeição não existe mas devemos fazer sempre o melhor.

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  • 20 de junho de 2014 em 15:10
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    Acho que o colega precisa estudar e rever sua prática clínica, pois é perfeitamente possível mantermos nossos pacientes saudáveis. Existe literatura suficiente mostrando isto. Nunca esquecendo que para obter bons resultados é necessário conhecer a doença, as possibilidades terapêuticas e os resultados que se espera obter.

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  • 20 de junho de 2014 em 22:17
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    Periodontia , manutenção da doença e prejuízo sem fim aos tecidos subjacentes? O triste é ver como tem colegas que pensam assim! Perio é sim dasafiadora, principalmente quando não há mudança de hábitos dos pacientes. Nem falo em manter dentes a todo custo, mas partir pra achar que tudo é extração e implante, em paciente que não higieniza…

    Resposta
  • 20 de junho de 2014 em 22:17
    Permalink

    Periodontia , manutenção da doença e prejuízo sem fim aos tecidos subjacentes? O triste é ver como tem colegas que pensam assim! Perio é sim dasafiadora, principalmente quando não há mudança de hábitos dos pacientes. Nem falo em manter dentes a todo custo, mas partir pra achar que tudo é extração e implante, em paciente que não higieniza…

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  • 21 de junho de 2014 em 03:23
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    O esclarecimento do "problema" do paciente e o entendimento dele disso resolvem a relação paciente/profissional e deixa claro que o tratamento é curativo, ou seja, não é um dente novo. Sempre a manutenção e a educação em saúde é melhor, mas normalmente o que temos em nosso consultório não é isso. então devemos partir para uma resolução a qual acreditamos que é melhor. Acredito que a opinião de um protesista e implantodontista em uma educação em saúde reflete em pensar primeiro no paciente e não no dindin vindo por algo que ganharíamos mais em relação ao financeiro e não ao bem-estar e melhor opção para o paciente tenha alguma validade. Mas às vezes me deparo com situações onde a ganância por dinheiro rápido é maior que o correto. Isso se reflete as inúmeras clínicas "populares" e até mesmo a colegas que não se valorizam e, consequentemente, desmerecem nosso ofício. Não podemos esquecer do programa da nossa presidentA do "mais dentistas". Sendo que o Brasil é um dos países com maior número de cirurgiões dentistas por habitante. Dou assim meu ponto de vista, prefiro perder o "orçamento" para alguns e deitar e dormir tranquilo sabendo que fiz o melhor possível para meu paciente, respeitando a confiança que o mesmo depositou em mim. Abraço

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