Odontosecção #5 – Complicações de uma pericoronarite


sisoHoje vou relatar para vocês um caso clínico que apareceu no meu consultório no começo desse ano e que conclui algumas semanas atrás.

Atendi uma paciente com história de muitas dores associadas a dois dentes sisos inferiores inclusos e episódios recentes de infecções de garganta. A princípio não existem relações comprovadas na literatura que associam dores e infecções da garganta a um dente siso incluso, mas aquele episódio me deixou intrigado.

Em um primeiro momento fui obrigado a tratar primeiro a pericoronarite (inflamação da gengiva circundante a um dente com inclusão óssea) infecciosa da paciente, que apresentava muita dor. A antibioterapia oral não exerceu o efeito desejado e a paciente acabou tento que ser internada em um hospital com febre e infecção também da garganta associada a dor. Como a paciente não conseguia deglutir a medicação teve que ser administrada por via endovenosa. Encaminhei a paciente a um otorrino que a diagnosticou realmente com uma infecção de garganta de origem bacteriana e a paciente fez um tratamento com antibiótico para essa infecção.

Passado cerca de 40 dias, tempo esse sugerido pelo otorrino, da melhora do quadro clínico programei a cirurgia para remoção dos quatro sisos da paciente e novamente, dias antes da data marcada, a pericoronarite da paciente voltou a atacar e mais uma vez acompanhada de dor, febre e inflamação da garganta.

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Comentários


6 comentários em “Odontosecção #5 – Complicações de uma pericoronarite

  • 19 de maio de 2014 em 18:34
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    Legal Guilherme, acho que isso é o chamado "pensar fora da caixa". Em biologia nada é verdade absoluta. Assim como vc, acredito nesta possibilidade. Áreas muito próximas e muito irrigadas. Que bom que o quadro estabilizou.

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  • 20 de maio de 2014 em 13:47
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    Celia, acho que o caminho é esse mesmo. O profissional "moderno" hoje em dia tem que enxergar o paciente como um todo, não apenas os dentes, e sem querer puxar a sardinha pro meu lado, mas como trabalho em um serviço de urgência e emergência no maior hospital de trauma de Minas Gerais eu já me habituei ao "out of the box". Um abraço.

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  • 15 de junho de 2014 em 20:36
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    Tive a mesma situação com o meu filho a 1 mês .Sou buco maxilio a 15 anos e nunca tinha visto um caso assim. O seu relato me deixa mais tranquilo no que diz respeito a recidiva.

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  • 11 de outubro de 2014 em 21:39
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    Fala Guilherme, tudo certo? Gosto muito do blog e queria te perguntar uma coisa. Aprendemos na graduação que é arriscado fazer uma cirurgia desse nível com um quadro de pericoronarite aguda, sendo o mais indicado fazer a remoção com o quadro estabilizado como tu mesmo mencionaste que era o planejamento. Te pergunto: qual o risco de fazer a cirurgia com um quadro assim? Não teria sido mais prudente tentar estabilizar o quadro novamente para intervir?
    Abraço e parabéns pelas postagens!

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  • 21 de outubro de 2014 em 19:31
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    Acompanho seu site desde que comecei a sentir dores no pescoço, mandíbula e surdez (ouvindo em ??mono?) em Junho/2014. O dentista verificou que tenho 1 siso semi-incluso inferior esquerdo, posição vertical, raiz única. Tenho 30 anos e nem sabia da existência dele, nunca senti absolutamente nada, nem a erupção dessa parte q nasceu. O problema é q sou hipocondríaca. Desde q soube q precisava fazer uma cirurgia com osteotomia, as dores aumentaram e não consigo parar de pensar no pior. São 4 meses sofrendo com as dores musculares (pois o dente em si não doi) e com MEDO (paralisante) de ter infecções e complicações graves após a cirurgia. Li vários casos de internações, cortes para implantes de drenos, aparecimento de ar nos espaços profundos da garganta, infecções sistêmicas e mortes. Estou fazendo terapia e uso de ansiolíticos há 2 meses, cheguei a conseguir ir no Buco-Maxilo e ser anestesiada, porém meus batimentos cardíacos não permitiram fazer a cirurgia. Pra piorar, tive uma amigdalite resistente a amoxicilina, o q me deixou apavorada, pois fiquei 21 dias em tratamento com AcetilCefuroxima (carooo). Não possuo mais a opção da Amox para o pré-cirurgico, pois tenho Streptococcus Pyogenes resistente a ela. Sinto-me um lixo humano por ser assim. Não sei mais o q faço para me acalmar. Gostaria de saber se há algum exame, medicamentos ou medidas profiláticas para eu me assegurar que não vou ter infecções graves no pós operatório e entender por que essas coisas acontecem até mesmo com pessoas que seguem todas as orientações. Como posso me prevenir?

    OBRIGADA.

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