24/04/2014

Acidentes Ocupacionais em Odontologia

Todos os dias nós dentistas somos expostos a inúmeras situações de risco durante nossa jornada de trabalho. Por isso eu resolvi falar um pouco hoje sobre acidentes ocupacionais em Odontologia.

Acidentes ocupacionais ou acidentes de trabalho são, na definição exata da expressão:

“aqueles acidentes que ocorrem pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, com o segurado empregado, trabalhador avulso, médico residente, bem como com o segurado especial, no exercício de suas atividades, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda ou redução, temporária ou permanente, da capacidade para o trabalho.”

Só que no caso da Odontologia, onde a grande parte dos profissionais não é empregado, mas patrão, há que se ter um cuidado triplicado, pois em caso de acidente ocupacional que impossibilite o dentista de trabalhar, cessa sua renda. Mesmo que o colega pague algum tipo de previdência, pública ou privada, os valores dos benefícios são ridiculamente baixos e não “tapam nem o buraco do dente” como se diz aqui em Minas Gerais.

Principais acidentes ocupacionais em Odontologia:

LER (Lesões por Esforço Repetitivo): Atinge os dentistas que executam tarefas repetitivas por longos períodos do dia. Exemplo clássico é a Tendinite que acomete os endodontistas. Uma dica é fazer intervalos de pelo menos meia hora entre um paciente e outro e exercitar a mão com aquelas bolinhas de borracha fisioterápicas.

Problemas de coluna: Nem preciso dizer que esse seja talvez o maior de todos os motivos que levam o dentista a interromper seu trabalho. Nossa coluna é muito exigida durante a jornada diária. Alguns deixam a situação se agravar tanto a ponto de serem obrigados a abandonar a profissão.  A melhor dica para evitar isso é seguir as normas de ergonomia em Odontologia.

Acidente com perfuro-cortantes: Também acontece demais. Dentista não deve reencapar agulha a não ser que o faça com total segurança. Em tempos de AIDS e outras doenças infecto contagiosas não dá pra vacilar. Fios ortodônticos também costumam fazer estragos nas polpas dos dedos dos ortodontistas. A dica da vez é procurar trabalhar com cautela e atenção e em caso de acidentes com material biológico contaminado, realizar exames laboratoriais e seguir o protocolo para essas situações.

Como evitar os acidentes ocupacionais na Odontologia ???

Torna-se necessário o conhecimento dos fatores determinantes das situações de risco, afim de implementar medidas preventivas efetivas e outras intervenções de biossegurança.

Utilização dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual): luvas, máscara, gorro, óculos de proteção e avental, independentemente do procedimento, inclusive na lavagem e preparo de instrumentais.

Evitar atendimentos seguidos e estafantes onde haja diminuição da atenção e cansaço.

Máximo cuidado na manipulação de agulhas e instrumentos perfurocortantes com o intuito de evitar a contaminação da Equipe Odontológica (CD, ASB, TSB e pessoal da limpeza).

Jamais reencapar as agulhas dedo a dedo. Deve-se fazê-lo num movimento de “pesca” anulando assim a possibilidade de acidente.

Seguir todas as orientações e trabalhar com ergonomia.

Máxima atenção ao descarte do material contaminado com sangue e secreções do paciente que deve ser feito com cuidado em saco plástico branco (identificado), específico para material contaminado. No caso de perfurocortantes, estes devem ser descartados nos coletores especiais (amarelo) e devem destinar-se a coletas diferenciadas para resíduos infectantes, conforme normas nacionais (CONAMA e ANVISA)

Imunização da Equipe Odontológica: vacina contra Hepatite B (3 doses) e  vacina contra Tétano  (a cada 10 anos), inclusive para funcionário da limpeza. Estas estão disponibilizadas gratuitamente para profissionais de saúde em todo território nacional.

Espero que o post tenha sido útil para vocês e principalmente que ele possa ajudar a diminuir o número de acidentes ocupacionais em Odontologia. :D

 

Sobre o Autor 

Fabrício Mendes é atleticano desde que nasceu em 1978, dentista desde 1999, blogueiro odontológico desde 2010 quando do interior de Minas Gerais (Ilicínea, pra ser mais exato) resolveu criar o Vida de Dentista.