
Rolando Boldrin
Sempre fui fã do Rolando Boldrin. Cresci o ouvindo nas fitas K7 do meu pai, onde ele cantava suas modas e recitava suas poesias. Identificava-me com suas palavras. A vida do interior que ele levou era a minha. O menino do interior que ficou famoso por suas rimas me inspirava. Comecei a escrever poesia. Poesia caipira. A poesia estilo Rolando Boldrin. Ele era um grande exemplo pra mim. Era. Hoje não é mais.
Em Agosto de 2002 meu pai sofreu um AVC. Na época eu morava fora e vivia a doce ilusão de ficar rico sendo dentista. Me senti o pior dos filhos. Meu pai adoeceu e eu estava ausente. A impotência daquele momento me fez refletir. Percebi que o dinheiro que eu ganhava não valia nada. O importante pra mim estava longe. Estava na minha casa. Minha família era meu maior tesouro.
E ali, no momento em que eu recebi o telefonema do hospital, onde minha mãe me contou o ocorrido, eu decidi que tinha que voltar pra casa. Olhei pra paciente que estava na cadeira, pedi a ela que me desculpasse, e sai com a roupa do corpo do interior de SP rumo a Minas. Quase 500 km de muitas, e purificadoras, lágrimas.
Fiquei uma semana aqui em MG. Assim que meu pai recebeu alta e eu voltei pra terminar os pacientes que eu tinha começado. Eu queria voltar sem deixar nem um “rabo” pra trás. E assim o fiz. Fiquei até meados de Outubro lá, e na última semana, mais precisamente na última noite antes de voltar definitivamente pra casa, zapeando os canais da TV vi o Rolando Boldrin no programa da Hebe e parei pra ouvir o que ele dizia.
No programa ele falava de um projeto social que ele toca em Itapecerica da Serra – SP. Disse que estava fazendo shows “baratinhos” para arrecadar fundos para o projeto e deu no ar um número de telefone para quem quisesse contratá-lo. Eu anotei na hora. Eu ia voltar pra Minas, pra casa do meu pai, e queria levar comigo um presente. Eu ia levar o Rolando Boldrin.
Na manhã seguinte a primeira coisa que fiz foi ligar no tal número. Uma senhora atendeu, eu me identifiquei e pedi informações sobre como contratar Rolando Boldrin. Ela, para minha surpresa, me pediu pra aguardar um segundinho que iria passar o telefone pra ele. E 5 segundos depois eu estava ao telefone com um ídolo.
Expliquei a ele brevemente a minha história. Falei sobre o estado de meu pai e sobre a vontade de presenteá-lo com um show de seu ídolo. Mas a minha expectativa foi por água abaixo assim que ele me deu o preço. O show que ele tinha dito na Hebe que era “baratinho” tinha um valor exorbitante.
Mas o custo alto e acima das minhas possibilidades não me magoou. Magoou foi o jeito rígido dele, pra não dizer sem educação, ao me exigir também transporte aéreo para ele e sua banda até a cidade mais próxima. Finalizou dizendo com desdém que se eu quisesse mesmo, que arrumasse também uma estrutura de som decente pois, caso ele chegasse aqui e a estrutura fosse aquém do esperado, ele simplesmente não cantaria.
Ali morria uma idolatria. O cara pra quem eu tirava o meu chapéu e no qual eu me inspirava morreu assim que eu agradeci a atenção dele e desliguei o telefone. Chorei de raiva. Raiva de mim. De idolatrar um mercenário daqueles. Fiquei anos sem ouví-lo. Se eu o visse na TV mudava logo de canal. Mas como tudo na vida passa, a mágoa se abrandou. E hoje ainda sou fã de sua obra, não da pessoa.
E depois de contar um pouco da minha vida para vocês, deixa eu explicar o porque dessa ladainha aí em cima. É que eu queria mostrar um pedacinho da obra de Rolando Boldrin. Um pedacinho que tem a ver com o nossa dia-a-dia. Um pedacinho chamado “A moda do dente“. Ouçam (apertando o play) e cantem com a letra abaixo:
“Tava me alembrando agora,
Do tempo que eu fui banguela
Boca murcha repuxada,
Sem sorrir para as donzela
Ai moço que coisa triste,
É ter a boca vazia
A gente não tem mais gosto,
Nem de puxar cantoria
O destino caprichoso,
Um castigo quis me dar
Eu fui medir força bruta
Com um baita dum marruá
Ele me apinchou no chão,
Bati feio em terra suja
Quebrei a cara inteirinha
E os denti foi di lambuja
Tô com a boca consertada,
Graças ao doutor Mateu
Dente emriba dente embaixo,
Mió que os que deus me deu
Nem cobrou pelo serviço,
Entendendo a situação
Sem cantar eu me matava,
Cantar banguela é que não
Hoje eu tô mais bonitinho,
Me falou a Graziela
Pois in ante era pouquinho
O que eu sorria prá ela
Agora que nem criança,
Nós gargaia nos namoro
E se rendê as poupança,
Eu implanto um dente de ouro”
E aí ??? Gostaram ???







JENIFER
ADOREI A HISTÓRIA E O FATO DE VOCÊ TER SUPERADO A MÁGOA!
PARABÉNS!!!
Celia Barral
O Dr Mateu noto dente e num cobrô!
Só dentista que é bobo mesmo.
O Cantador soube cobrar!
Pois é!!!
bjo colega
Carlos Wagner Daher
Rachei o bico de tanto rir! É muito bom ver uma moda bem cantada nesse mar de axé e funk!