O triste fim do dentista feliz
Depois daquele curso que falava sobre como era importante captar pacientes fora do consultório o Dr. X percebeu esse era um filão a ser explorado.
Se tudo corresse como lhe disse a professora, 1/4 dos pacientes do seu consultório poderiam vir através de contatos feitos na rua, em restaurantes, lojas, clubes, festas, museus, eventos, etc …
“O dentista precisa ser um ser mais social e deixar de lado o ciclo casa-consultório-casa”. As palavras da professora ecoavam em sua mente. E então ele começou a colocar isso em prática.
No primeiro mês já notou diferença. Além de ter aumentado o seu leque de pacientes, e consequentemente de amizades, ele se sentia mais leve. A rotina já não o aborrecia tanto. Ele estava feliz.
Todas as quartas ele fechava o consultório mais cedo e se dirigia a um bar que era frequentado pela alta sociedade daquela pequena cidade. Lá ficava até a noite entre drinks, aperitivos e boa conversa. Finalmente ele era um dentista feliz.
Aquele meio dia que ele tirava para o lazer fazia um bem inimaginável. Tanto, que em alguns meses, ele, que começou a sair mais, para cativar mais pacientes e já nem se importava mais com quanto tempo ficava fora. O consultório se tornou secundário e os pacientes foram desaparecendo. Reflexo da falta de compromisso e de controle do proprietário, que ali, já preferia o álcool que o eugenol.
Mesmo endividado, ele continuava a beber. Ele já não sabia qual ação era reflexo da outra. Se bebia porque estava endividado ou se estava endividado porque bebia.
E numa madrugada bêbada, um poste entrou no caminho do seu carro, que explodiu com o impacto. Ironicamente, só os dentes se salvaram naquela tragédia.
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